quinta-feira, 23 de junho de 2011

Higiene Brônquica

Boa noite, enfim uma nova postagem! 
Hoje postarei sobre um assunto muito importante dentro da fisioterapia, que são as técnicas de Higiene Brônquica. O principal objetivo destas técnicas é promover uma melhora da ventilação pulmonar, através da desobstrução das vias de condução do ar, isso inclui desde às vias aéreas superiores até os seguimentos mais distais da árvore brônquica. Listarei a seguir as técnicas mais utilizadas do cotidiano profissional, é claro que, por se tratar de uma grande quantidade de técnicas, farei isso de forma resumida.



Drenagem Postural- Tem por objetivo utilizar a força gravitacional para mobilizar secreção dos lobos e segmentos distais para as vias aéreas centrais, para isso, o paciente é posicionado de forma que a gravidade atue sobre conformação ao segmento a ser drenado, devendo o indivíduo permanecer nesta posição por tempo indeterminado. Esta técnica pode ser realizada de forma isolada ou associada a vibrocompressão e a secreção eliminada através da tosse ou aspiração. Contra-indicações: Tredelemburg-PO craniotomia, TVP, pacientes com refluxo, com qualquer distúrbio vascular sistêmico e cerebral, qualquer patologia que seja influenciada pela PIC, hidrocefalia não tratada, arritimias, quadro febril, broncoespasmo, tumor, drenos etc...OBS: é necessário o conhecimento anatômico do sistema respiratório como um todo, em especial os pulmões  para maior entendimento sobre o posicionamento adequado do pcte, para drenagem de uma região específica do pulmão.

Percussão torácica ou Tapotagem- O objetivo desta técnica é mobilizar e deslocar secreção ao longo da árvore brônquica, para isso utiliza-se de ondas de choque mecânico geradas a partir de uma percussão de forma rítmica sobre a superfície torácica. È realizada com auxílio das mãos, em forma de concha com o punho ou dedos, obedecendo sempre a um ritmo contínuo e a mesma cadência de movimentos. Também possui tempo indeterminado para sua aplicação. Deve observar áreas anatômicas, hiperemia, colocação de drenos, cateteres... Contra-indicações- Fraturas de tórax, hiper/hipotensão, paciente febril, paciente com broncoespasmo, arritimias, carcinomas, hemoptise, osteoporose etc...

Vibração ou Vibrocompressão torácica- Esta técnica fundamenta-se pela propriedade tixotrópica do muco, que se liquefaz quando submetido à vibração, o que facilita seu descolamento da parede brônquica, deslocamento para as vias aéreas centrais e eliminação do mesmo. Pode ser realizada de forma manual, através da compressão manual durante a expiração do indivíduo associado à contração muscular isométrica promovendo uma vibração de baixa freqüência, ou de forma mecânica por meio de aparelhos específicos. A freqüência ideal para crianças varia de 3 à 55Hz, já para adultos deve ultrapassar esses valores. Esta técnica também pode ser associada a drenagem postural. Contra-indicações:  Fraturas de tórax, hiper/hipotensão, instabilidade hemodinâmica, paciente febril, paciente com broncoespasmo, arritimias, carcinomas, hemoptise, osteoporose etc...


Aceleração de fluxo expiratório (AFE)- Esta técnica gera um aumento do fluxo expiratório, ajudando a desprender secreções aderidas na parede brônquica, ao mesmo tempo em que promove um estímulo ao reflexo da tosse. A técnica é realizada seguida a uma inspiração espontânea ou mecânica (em casos de pacientes respirando com auxílio de ventilação mecânica), onde se realiza uma compressão manual no abdômen (sentido caudo-cranial) e outra acompanhando o movimento dos arcos costais (sentido crânio-caudal), gerando uma energia de expulsão semelhante a da tosse. Esta técnica pode sofrer algumas variações, dependendo do objetivo do terapeuta, ele pode empregá-la para auxiliar a remoção da secreção de um lobo específico, além de servir como auxílio em casos de uma tosse ineficaz (tosse assistida). Contra-indicações: Mulheres grávidas, hemorragia gástrica, pcte com PIC elevada, refluxo gastresofágico.

Oscilação oral de alta freqüência (Shake/Flutter)- Consiste na associação da PEEP com oscilação oral de alta freqüência, onde ondas vibratórias são propagadas para as vias aéreas inferiores promovendo os efeitos da vibração sobre a secreção. A freqüência varia de acordo com angulação do equipamento e do fluxo aéreo expiratório, enquanto o peso da esfera serve de resistência expiratória que varia de 10 a 25 cmH2O (PEEP). Contra-indicações: Quaisquer pacientes, que não consiga gerar fluxo expiratório suficiente para produzir níveis ideais de oscilações, broncoespasmo, doença cardíaca descompensada, fraturas faciais instáveis, fraturas de arcos costais, alterações renais graves, DPOC descompensada, traumatismo torácico grave, hemo/pneumotórax sem drenagem prévia etc...

ZEEP- A ZEEP é uma técnica realizada no ventilador mecânico (pacientes em VM invasiva), trabalhando com a redução da PEEP de forma abrupta para 0, o que proporciona um rápido deslocamento de ar e conseqüentemente de secreção. Primeiro o terapeuta deve elevar a PEEP, com intuito de promover maior abertura dos alvéolos e quantidade de ar represada no seu interior (elevação da capacidade residual funcional), precavendo-se quanto à pressão de pico que não deve ultrapassar 30-35 cmH2O, em seguida, após 3-5 ciclos respiratórios, diminui-se bruscamente a PEEP para 0. Para maior efetividade da técnica, aconselha-se o uso de vibrocompressão para acelerar ainda mais o fluxo expiratório, porém deve-se levar em consideração todas as contra-indicações para se realizar a compressão. Contra-indicações: Pacientes hemodinamicamente instáveis, PO de craniotomia, hipertensão intracraniana, recém-nascidos etc..

Bag Squeezing- O bag squeezing é uma técnica de higiene brônquica que utiliza o ambú como recurso podendo se associar a vibrocompressão. Nesta técnica através do ambú envia-se para o paciente um volume gasoso maior que o volume corrente dele, hiperinsunflando os pulmões, em seguida, realiza-se uma vibrocompressão na fase expiratória do paciente, que associado a pressão negativa promovida pelo ambú ao retorna a forma inicial, promove um fluxo expiratório mais rápido e turbulento, o que facilita o deslocamento da secreção. É indicada na presença de secreção espessa e suspeita de rolha. Contra-indicações: Instabilidade hemodinâmica, hipertensão intracraniana, hemorragia peri-intraventricular grave, osteopenia da prematuridade, distúrbios hemorrágicos e graus acentuados de refluxo gastresofágico etc...

Aspiração: Consiste em um procedimento estéril para remoção de secreção utilizando uma sonda conectada a um sistema a vácuo. Pode ser realizado em sistema aberto ou fechado. No sistema aberto à escolha da sonda deve ser realizada respeitando o calibre da via aérea do paciente, sonda deve ser introduzida fechada via aérea do paciente de maneira delicada para evitar traumas. O sistema fechado é utilizado em pacientes em via aérea artificial e consiste num dispositivo cuja sonda é completamente protegida por um saco plástico que permanece adaptado ao ventilador. O tempo de aspiração deve ser o menor possível para evitar traumas, dessaturações, no caso do sistema aberto despressurizações constantes, o que pode levar um colabamento alveolar irreversível. Alguns sinais são freqüentes durante o processo de aspiração: taquicardia, taquipnéia, elevação de PA, elevação da PIC, hipoxemia etc...  Sempre antes de iniciar uma aspiração deve-se realiza uma pré-oxigenação do paciente, tendo cautela principalmente no caso de crianças para não provocar hiperóxia, o que pode levar a um quadro de retinopatia.

É isso ai pessoal, espero que gostem da postagem e que sirva de ajuda quando precisarem relembrar sobre alguma dessas técnicas... Como sempre estou aberto a críticas construtivas e destrutivas! heh Até a próxima postagem... Rafael Rossi

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